Homem preso por assassinar ex-esposa com 72 facadas no Paraná foi julgado e condenado enquanto estava foragido; relembre caso

Polícia do Paraguai entrega, na Ponte da Amizade, homem foragido há mais de 30 anos por ma Marcos Panissa, preso por matar a ex-esposa, Fernanda Estruzani Pan...

Homem preso por assassinar ex-esposa com 72 facadas no Paraná foi julgado e condenado enquanto estava foragido; relembre caso
Homem preso por assassinar ex-esposa com 72 facadas no Paraná foi julgado e condenado enquanto estava foragido; relembre caso (Foto: Reprodução)

Polícia do Paraguai entrega, na Ponte da Amizade, homem foragido há mais de 30 anos por ma Marcos Panissa, preso por matar a ex-esposa, Fernanda Estruzani Panissa, com 72 facadas, foi julgado e condenado enquanto estava foragido. Ele estava sendo procurado desde 1995 e foi encontrado na quarta-feira (15), no Paraguai. No mesmo dia, ele foi entregue às autoridades do Brasil na Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná. ✅ Siga o g1 Londrina e região no WhatsApp Durante o processo, Panissa foi submetido a quatro julgamentos. O último aconteceu em 2008, quando uma mudança de lei permitiu que ele fosse julgado à revelia – quando a sessão do Tribunal do Júri acontece sem exigir a presença do réu. Na ocasião, Panissa foi condenado a 21 anos e 6 meses de prisão em regime fechado. Dois anos depois, a decisão foi reformada para 19 anos e 6 meses. A promotora de acusação na época, Susana Lacerda, vê a prisão de Panissa como uma vitória. "Era um feminicídio, e não existia a lei de feminicídio quando aconteceu a prática desse crime gravíssimo. [...] A família dessa vítima assistiu ela ser trucidada publicamente, foi ofendida a sua honra, a forma como vivia, o fato de gostar de dançar, de se divertir, de ser uma pessoa alegre. [Sobre a prisão de Panissa] Eu vejo como uma vitória, pois o tempo que esse réu estava foragido, ele decididamente acreditava na impunidade", disse a promotora. Antônio Carlos Andrade Viana, advogado que atua na defesa de Panissa desde a década de 1990, disse em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, que vai avaliar a legalidade da prisão e pedirá a revisão da pena. "Não é que ele esteja pleiteando a absolvição. Ele confessou o crime, perdeu a cabeça, fez um crime pavoroso que chocou a família e a sociedade, mas nem por isso nós devemos sair da legalidade desse assunto", disse o advogado. Navegue pela reportagem para entender os principais pontos do caso: Relembre o crime Como foram os julgamentos? Onde Panissa foi encontrado e preso? Como era a vida de Panissa no Paraguai? Relembre o crime O crime foi cometido no dia 6 de agosto de 1989, no apartamento onde Fernanda morava, no centro de Londrina, no norte do Paraná. Ela tinha 21 anos e Panissa, 23. Na época, Panissa confessou ter matado a ex-esposa por ciúmes. Os dois estavam separados há pouco mais de dois anos. Mesmo assim, ele disse em depoimento que não aceitava o fim do casamento e o fato de Fernanda estar começando um novo relacionamento. O caso foi abordado no programa Linha Direta, da TV Globo. Panissa matou Fernanda em 1989 com 72 facadas RPC / Senad Paraguai LEIA TAMBÉM: Impasse: Produtores vivem há 14 anos sob incerteza se moram em área com petróleo PMs amigos que trocaram tiros: Desabafo entre esposas deu início à confusão Árvore centenária: Oliveiras contrabandeadas seriam levadas para o interior de SP Como foram os julgamentos? Em 1991, Marcos foi condenado a 20 anos e 6 meses de prisão pelo assassinato. Houve um protesto por novo júri — recurso da defesa que permitia um novo julgamento quando a condenação fosse igual ou superior a 20 anos, mas que foi revogado em 2008. No ano seguinte, em um novo julgamento, Panissa foi condenado a 9 anos de prisão. O Ministério Público recorreu e o júri foi anulado com base em uma composição irregular do conselho de sentença e decisão em desacordo com as provas dos autos. Enquanto isso, Panissa respondia ao processo em liberdade. No dia marcado para o terceiro julgamento, em 1995, ele não compareceu ao tribunal, teve a prisão preventiva decretada e, desde então, estava foragido. Em 2008, uma nova sessão do Tribunal do Júri foi convocada após uma mudança na lei, que permitiu o julgamento à revelia a partir de uma alteração da lei que parou de exigir a presença do réu para o júri. Nesse julgamento, ele foi condenado a 21 anos e seis meses de prisão. Contudo, a decisão foi reformada para 19 anos e seis meses de prisão em 2010. Como ele estava foragido, a pena não pôde ser cumprida. Em 2018, a juíza Elisabeth Khater destacou no processo que, caso Panissa não fosse encontrado até novembro de 2028, o crime iria prescrever. Na época, a magistrada solicitou à Interpol que prorrogasse a validade do alerta na Difusão Vermelha. Relembre: Crime que chocou Londrina completa 30 anos sem autor cumprir a pena Onde Panissa foi encontrado e preso? Panissa foi preso após uma investigação da Polícia Federal indicar a presença dele em território paraguaio. Ele também era procurado pela Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol, na sigla em inglês). A investigação da PF revelou a entrada de Panissa no Paraguai com uma identidade falsa e conseguiu localizá-lo por meio do serviço de inteligência. Após monitoramento e confirmação da identidade real, agentes da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad) conseguiram prendê-lo em San Lorenzo enquanto ele dirigia um carro. Marcos Panissa foi entregue às autoridades brasileiras. Marcos Landim Ele foi encaminhado no mesmo dia da prisão, até a Cidade do Leste, onde foi expulso do país e entregue às autoridades da Polícia Federal do Brasil. Segundo a PF, Panissa está em Foz do Iguaçu aguardando decisão judicial sobre em qual unidade prisional irá cumprir pena. Como era vida de Panissa no Paraguai? A investigação revelou que ele vivia uma vida "pacata" em San Lorenzo, no interior do país, com identidade falsa, nova família e rotina considerada discreta pelas autoridades. Panissa trabalhava no comércio de ferragens e não levantava suspeitas da polícia. Ele morava com a companheira e uma filha adulta, mas, segundo as autoridades, elas não sabiam da verdadeira identidade dele, nem do crime cometido no Brasil. O g1 teve acesso ao nome que Marcos utilizava, mas não o revelará para preservar a identidade da esposa e da filha. Segundo a polícia, durante a abordagem Panissa confirmou o nome verdadeiro. As investigações apontam que Panissa entrou no Paraguai usando documentos falsos ainda na época em que cometeu o crime, nos anos 1990. Ele conseguiu, a partir disso, obter registros oficiais no país. Antes de se estabelecer em San Lorenzo, ele viveu na cidade de Concepción, onde conheceu a atual esposa e teve sua filha. Segundo as autoridades paraguaias, Panissa importava produtos do Brasil e distribuía em lojas no Paraguai, mantendo uma rotina considerada comum. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias em g1 Oeste e Sudoeste.

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